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domingo, 3 de agosto de 2014
Maria Antonieta , Rainha da Moda (John Galliano)
Esta suntuosa criação de John Galliano tece a estonteante ascensão e a trágica queda de Maria Antonieta na própria fazenda de um vestido. Um dos painéis bordados nos quadris da saia representa a famigerada rainha francesa brincando em seu palácio campestre, vestida de camponesa; o outro a mostra caminhando para a guilhotina, em andrajos. Esses detalhes sugerem corretamente que seu destino esteve inextricavelmente entrelaçado as suas escolhas de roupa. WEBER, Caroline. Rainha da Moda: Como Maria Antonieta se vestiu para a Revolução; prancha 1.
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Os deuses gregos:
A Ilíada foi o primeiro livro da cultura grega. A história que ele conta é muito antiga, não foi inventada por aquele que chamamos de seu autor: Homero. A Ilíada, antes de virar livro, já era contada há muito tempo, ela era cantada frequentemente com acompanhamento de algum instrumento musical. Era o que chamamos de rapsódia .
Como muitas pessoas cantavam esses acontecimentos em tantos lugares diferentes da Grécia, às vezes aumentando umas partes, às vezes inventando outras -e também é claro esquecendo algumas-, o fato era que não havia apenas uma história, mas várias. E a história ia mudando de geração em geração. Homero fixou os episódio, os lugares e as personagens, inventou um jeito de contá-los, acertou a ordem dos fatos. Assim como a própria escrita fixou a versão de Homero para guerra de Troia, transformando-a, agora sim, em uma história, que chegou até nós: a Ilíada.
Na realidade não sabemos quem foi Homero, nem sequer se ele existiu de verdade. O importante é que, provavelmente entre os anos de 1000 e 800 a.C., em algum lugar da Grécia, a história da guerra de Troia encontrou uma forma definitiva. Esse trabalho é atribuído a Homero, cuja lenda conta ter sido um poeta cego. Um pouco depois essa sua versão foi imortalizada pela escrita.
Hoje sabemos que de fato existiu uma importante cidade na costa da Ásia Menor, na atual Turquia, que se chamava Troia. As ruínas demonstraram que a cidade tinha sido destruída por um incêndio depois de uma grande guerra contra o gregos, exatamente como conta a lenda. Hoje em dia, a maioria dos estudiosos acredita que a guerra de que fala Ilíada tenha ocorrido por volta do ano 1200 a. C.
O que não quer dizer que tudo o que se passa neste grande poema, neste épico, tenha acontecido de verdade, ou que todos os seus personagens tenham realmente existido. Mas significa que o poema narra o movimento de expansão da cultura e da civilização gregas. Ele mostra os gregos conquistando novos territórios fora da Grécia.
Na Ilíada aparecem alguns heróis e deuses antiquíssimos. Suas façanhas corriam de boca em boca havia séculos. Quando os gregos contavam essas lendas, também falavam de coisas muito importantes para eles, como a educação, a coragem e a honra. Os personagens eram os seus modelos de virtudes, mostravam o ideal da cultura grega.
Esses heróis, que nasceram de lendas sobre grandes guerreiros ou sobre reis ilustres, eram tão famosos que se tornaram mitos. A atividade de contar um mito ganhou o nome de mitologia. Muitos desses heróis lendários foram transformados em deuses. O gregos acreditavam que eles eram imortais. Podiam simbolizar, por exemplo, os fenômenos da natureza: o dia, a noite, o céu, a terra, o mar, os rios, os ventos, o trovão, o terremoto.
Já outros heróis viraram semideuses, ou seja, eram considerados filhos dos deuses com mulheres ou homens mortais (semideus quer dizer " meio-deus").
Para os gregos antigos, os deuses mais importante moravam no Olímpio, a montanha mais alta da Grécia. Vamos conhecê-los a seguir.
Os deuses:
(Entre parênteses estão os nomes que os antigos Romanos deram para eles.)
Zeus ( ou Júpiter) - É o chefe supremo dos deuses. É ele quem manda no Olimpo. Teve muitos filhos com várias deusas até com mulheres mortais. Quando se zanga, sai por aí fulminando raios.
Hera (Juno) - Mulher de Zeus. É protetora das esposas, do amor legítimo.
Poseidon (Netuno) - Irmão de Zeus, é o deus dos oceanos e dos mares.
Hades (Plutão) - Outro irmão de Zeus. Deus do mundo dos mortos.
Ares (Marte) - Deus da guerra. É filho de Zeus e Hera.
Atena, ou Palas Atena (minerva) - Deusa da estratégia, da inteligência e da astúcia militar. Nasceu sozinha da cabeça de Zeus.
Apolo, ou Febo Apolo - Filho de Zeus e Leto, é o deus da luz, da profecia, da poesia e da música. É o Arqueiro-Rei, o patrono dos arqueiros.
Afrodite (Vênus) -Filha de Zeus e Dione. Deusa da beleza e do amor. Muitos imortais já perderam a cabeça por ela !
Ártemis (Diana) - Filha de Zeus e Lato, é a deusa da caça e dos caçadores, mas também é a protetora dos animais.
Hefesto (Vulcano) - Filho de Zeus e Hera. Deus ferreiro a arquiteto, do fogo e dos vulcões.
Íris O arco-Íris nome vem de "arco-íris). A mensageira dos deuses.
Hermes (Mercúrio) - O Deus-Guia, outro mensageiro dos deuses. Também é o deus da sorte e da alquimia.
Tétis - Importante divindade marinha( é uma ninfa). A mãe de Aquiles.
As Musas - São as inspiradoras das artes e dos artistas.
Os principais heróis:
Aquiles - Filho de Peleu (um mortal) e da ninfa Tétis (uma deusa).
Agamenon - Rei de Micenas, na época mais importante cidade grega. É o irmão mais velho de Menelau.
Menelau - rei de Esparta , sua esposa foi raptada por um príncipe troiano.
Helena - A mulher mais bonita do mundo, esposa de Menelau
Odisseu -Rei da ilha chamada Ítaca, também é chamado de Ulisses. É um guerreiro inteligente e astuto.
Troianos
Príamo: - Rei de Tróia. É descendente de Zeus.
Heitor -Filho mais velho de Príamo, é o comandante dos troianos na guerra.
Páris - Filho de Príamos, é quem causou a guerra, ao raptar Helena, a esposa do rei grego Menelau.
Como muitas pessoas cantavam esses acontecimentos em tantos lugares diferentes da Grécia, às vezes aumentando umas partes, às vezes inventando outras -e também é claro esquecendo algumas-, o fato era que não havia apenas uma história, mas várias. E a história ia mudando de geração em geração. Homero fixou os episódio, os lugares e as personagens, inventou um jeito de contá-los, acertou a ordem dos fatos. Assim como a própria escrita fixou a versão de Homero para guerra de Troia, transformando-a, agora sim, em uma história, que chegou até nós: a Ilíada.
Na realidade não sabemos quem foi Homero, nem sequer se ele existiu de verdade. O importante é que, provavelmente entre os anos de 1000 e 800 a.C., em algum lugar da Grécia, a história da guerra de Troia encontrou uma forma definitiva. Esse trabalho é atribuído a Homero, cuja lenda conta ter sido um poeta cego. Um pouco depois essa sua versão foi imortalizada pela escrita.
Hoje sabemos que de fato existiu uma importante cidade na costa da Ásia Menor, na atual Turquia, que se chamava Troia. As ruínas demonstraram que a cidade tinha sido destruída por um incêndio depois de uma grande guerra contra o gregos, exatamente como conta a lenda. Hoje em dia, a maioria dos estudiosos acredita que a guerra de que fala Ilíada tenha ocorrido por volta do ano 1200 a. C.
O que não quer dizer que tudo o que se passa neste grande poema, neste épico, tenha acontecido de verdade, ou que todos os seus personagens tenham realmente existido. Mas significa que o poema narra o movimento de expansão da cultura e da civilização gregas. Ele mostra os gregos conquistando novos territórios fora da Grécia.
Na Ilíada aparecem alguns heróis e deuses antiquíssimos. Suas façanhas corriam de boca em boca havia séculos. Quando os gregos contavam essas lendas, também falavam de coisas muito importantes para eles, como a educação, a coragem e a honra. Os personagens eram os seus modelos de virtudes, mostravam o ideal da cultura grega.
Esses heróis, que nasceram de lendas sobre grandes guerreiros ou sobre reis ilustres, eram tão famosos que se tornaram mitos. A atividade de contar um mito ganhou o nome de mitologia. Muitos desses heróis lendários foram transformados em deuses. O gregos acreditavam que eles eram imortais. Podiam simbolizar, por exemplo, os fenômenos da natureza: o dia, a noite, o céu, a terra, o mar, os rios, os ventos, o trovão, o terremoto.
Já outros heróis viraram semideuses, ou seja, eram considerados filhos dos deuses com mulheres ou homens mortais (semideus quer dizer " meio-deus").
Para os gregos antigos, os deuses mais importante moravam no Olímpio, a montanha mais alta da Grécia. Vamos conhecê-los a seguir.
Os deuses:
(Entre parênteses estão os nomes que os antigos Romanos deram para eles.)
Zeus ( ou Júpiter) - É o chefe supremo dos deuses. É ele quem manda no Olimpo. Teve muitos filhos com várias deusas até com mulheres mortais. Quando se zanga, sai por aí fulminando raios.
Hera (Juno) - Mulher de Zeus. É protetora das esposas, do amor legítimo.
Poseidon (Netuno) - Irmão de Zeus, é o deus dos oceanos e dos mares.
Hades (Plutão) - Outro irmão de Zeus. Deus do mundo dos mortos.
Ares (Marte) - Deus da guerra. É filho de Zeus e Hera.
Atena, ou Palas Atena (minerva) - Deusa da estratégia, da inteligência e da astúcia militar. Nasceu sozinha da cabeça de Zeus.
Apolo, ou Febo Apolo - Filho de Zeus e Leto, é o deus da luz, da profecia, da poesia e da música. É o Arqueiro-Rei, o patrono dos arqueiros.
Afrodite (Vênus) -Filha de Zeus e Dione. Deusa da beleza e do amor. Muitos imortais já perderam a cabeça por ela !
Ártemis (Diana) - Filha de Zeus e Lato, é a deusa da caça e dos caçadores, mas também é a protetora dos animais.
Hefesto (Vulcano) - Filho de Zeus e Hera. Deus ferreiro a arquiteto, do fogo e dos vulcões.
Íris O arco-Íris nome vem de "arco-íris). A mensageira dos deuses.
Hermes (Mercúrio) - O Deus-Guia, outro mensageiro dos deuses. Também é o deus da sorte e da alquimia.
Tétis - Importante divindade marinha( é uma ninfa). A mãe de Aquiles.
As Musas - São as inspiradoras das artes e dos artistas.
Os principais heróis:
Aquiles - Filho de Peleu (um mortal) e da ninfa Tétis (uma deusa).
Agamenon - Rei de Micenas, na época mais importante cidade grega. É o irmão mais velho de Menelau.
Menelau - rei de Esparta , sua esposa foi raptada por um príncipe troiano.
Helena - A mulher mais bonita do mundo, esposa de Menelau
Odisseu -Rei da ilha chamada Ítaca, também é chamado de Ulisses. É um guerreiro inteligente e astuto.
Troianos
Príamo: - Rei de Tróia. É descendente de Zeus.
Heitor -Filho mais velho de Príamo, é o comandante dos troianos na guerra.
Páris - Filho de Príamos, é quem causou a guerra, ao raptar Helena, a esposa do rei grego Menelau.
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sexta-feira, 23 de maio de 2014
Tirinhas da Mafalda
Original as tiras_da_mafalda_-_7ª_parte (1) from Elaine Maria
Baixe aqui todas as tirinhas em português
http://www.4shared.com/file/47168983/cfbe5cd6/Toda_Mafalda_em_Portugus.html?s=1
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domingo, 18 de maio de 2014
A Maldição de Tutankamon
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Egito Antigo
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Olha quem manda no Brasil de verdade, o resto é peão >>As 15 famílias mais ricas do Brasil, segundo a Forbes
As 15 famílias mais ricas do Brasil, segundo a Forbes
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http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/quem-sao-as-15-familias-mais-ricas-do-brasil-segundo-a-forb#2
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União Soviética foi pioneira nos direitos das mulheres, diz historiadora
Em 1920, a União Soviética tornou-se o primeiro país do mundo a garantir às mulheres o direito ao aborto legal. Dois anos antes, em1918, o Código da Família, promulgado pelos bolcheviques, havia instituído o casamento civil em substituição ao religioso e estabelecido o divórcio a pedido de qualquer um dos cônjuges. O governo que emergiu da Revolução comunista de 1917 também incentivou a educação feminina e encorajou as mulheres a assumirem os mesmos postos de trabalho que os homens pelos mesmos salários.
A ambição dos bolcheviques ia além de garantir às mulheres os mesmos direitos dos homens. Os revolucionários acreditavam que, na sociedade socialista, seria possível libertar a mulher das tarefas domésticas que, segundo Lênin, embruteciam a mulher e a impediam de participar da vida social e política.
Segundo a historiadora americana e professora da Carnegie Mellon University, Wendy Goldman, os ideais de emancipação da mulher e amor livre que inspiraram o movimento feminista ocidental nos anos 60 e 70 já eram debatidos nos primeiros anos da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), na década de 20. Em Mulher, Estado e Revolução: política familiar e vida social soviéticas, 1917-1936, escrito em 1993, mas publicado agora no Brasil pela Boitempo Editorial, Goldman reconta a história do “verão do amor” soviético, que teve fim com a ascensão do stalinismo.
As leis que garantiam os direitos das mulheres soviéticas eram tão avançadas que, segundo Goldman, até hoje algumas delas ainda não foram adotadas por países ocidentais. A legislação soviética previa a igualdade entre homens e mulheres. “As legislações de muitos países não dizem que homens e mulheres serão tratados igualmente. Nos Estados Unidos, nos anos 70, nós tentamos aprovar uma emenda constitucional que afirmasse que a igualdade entre homens e mulheres, mas ela não foi aprovada”, diz. No Brasil, o artigo 5º da Constituição Federal assegura que “homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações”.
Para libertar as mulheres, foi proposta a socialização do trabalho doméstico. As tarefas realizadas em casa – e de graça – pelas mulheres passariam a ser feitas por profissionais assalariadas em creches, restaurantes comunitários e lavanderias públicas. O fim do trabalho doméstico era apenas um passo, o objetivo dos bolcheviques era o fim da família, pelo menos como figura jurídica. “Os revolucionários marxistas viam a família como uma organização que mudava com o passar do tempo. As famílias dos tempos das cavernas eram diferentes das famílias que viviam sob o feudalismo, que eram diferentes das famílias do capitalismo”, afirma. Os bolcheviques acreditam que as condições do socialismo possibilitariam o desaparecimento da família como ela existe no capitalismo. “O que não significa que as pessoas deixariam de se amar, de se relacionar umas com as outras e de se relacionar com seus filhos. Mas a família baseada na dependência financeira e na coerção desapareceria.”
Na década de 20, as mulheres soviéticas começaram a ocupar mais e mais postos de trabalho nas indústrias e creches e restaurantes estatais se encarregavam das tarefas antes consideradas domésticas. As novas condições materiais somadas à facilidade para se casar e se divorciar e ao acesso ao aborto permitiram o surgimento de novos arranjos familiares, baseados no amor livre, e não na dependência econômica.
No entanto, “a experiência da liberdade foi muito dolorosa para as mulheres”, afirma Goldman. E a culpa foi, em boa parte, dos homens. A facilidade para divorciar levou muitos homens soviéticos a terem relacionamentos breves com mulheres, engravidá-las e abandoná-las. A irresponsabilidade masculina tornou as mulheres mais conservadoras. Elas passaram a exigir o fortalecimento da família e que os homens fossem obrigados a pagar pensão alimentícia, já que o Estado soviético não tinha recursos para cuidar de todos os filhos do amor livre.
Aproveitando-se do crescente conservadorismo social, em 1936, o governo de Josef Stalin (1878-1953) decretou um conjunto de leis cujo objetivo era valorizar a família, dificultar o divórcio e proibir o aborto. A proibição, que vigorou até 1955, não resultou na diminuição do número de abortos. “Em 1938, o número de abortos já era tão alto quanto em 1935, quando ainda era legal”, afirma Goldman. O desaparecimento da família saiu da pauta dos comunistas e a proposta original de libertação sexual se perdeu.
Segundo a historiadora, a experiência soviética nos leva a refletir sobre a proibição do aborto que ainda vigora em muitos países, como o Brasil. “Nós observamos que as mulheres vão recorrer ao aborto, seja ele legal ou ilegal. Se o aborto é ilegal, elas vão recorrer a métodos perigosos, que podem levar à morte.” Outra lição se refere a possíveis soluções para antigos problemas. Quem vai cuidar das crianças se os pais trabalham fora? Como se dedicar à família se trabalhamos cada vez mais? “A solução que os soviéticos encontraram para a contradição entre a vida doméstica e o trabalho foi a socialização do trabalho doméstico. As feministas dos anos 70 acreditavam na socialização de algumas tarefas, mas perceberam que os homens também podiam fazer sua parte no trabalho doméstico”, afirma Goldman.
O lançamento oficial de Mulher, Estado e Revolução ocorrerá na próxima semana, em três debates com a presença da autora: na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no dia 19; na Universidade de São Paulo (USP), no dia 20; e na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), dia 21.
Segundo a historiadora americana e professora da Carnegie Mellon University, Wendy Goldman, os ideais de emancipação da mulher e amor livre que inspiraram o movimento feminista ocidental nos anos 60 e 70 já eram debatidos nos primeiros anos da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), na década de 20. Em Mulher, Estado e Revolução: política familiar e vida social soviéticas, 1917-1936, escrito em 1993, mas publicado agora no Brasil pela Boitempo Editorial, Goldman reconta a história do “verão do amor” soviético, que teve fim com a ascensão do stalinismo.
As leis que garantiam os direitos das mulheres soviéticas eram tão avançadas que, segundo Goldman, até hoje algumas delas ainda não foram adotadas por países ocidentais. A legislação soviética previa a igualdade entre homens e mulheres. “As legislações de muitos países não dizem que homens e mulheres serão tratados igualmente. Nos Estados Unidos, nos anos 70, nós tentamos aprovar uma emenda constitucional que afirmasse que a igualdade entre homens e mulheres, mas ela não foi aprovada”, diz. No Brasil, o artigo 5º da Constituição Federal assegura que “homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações”.
Para libertar as mulheres, foi proposta a socialização do trabalho doméstico. As tarefas realizadas em casa – e de graça – pelas mulheres passariam a ser feitas por profissionais assalariadas em creches, restaurantes comunitários e lavanderias públicas. O fim do trabalho doméstico era apenas um passo, o objetivo dos bolcheviques era o fim da família, pelo menos como figura jurídica. “Os revolucionários marxistas viam a família como uma organização que mudava com o passar do tempo. As famílias dos tempos das cavernas eram diferentes das famílias que viviam sob o feudalismo, que eram diferentes das famílias do capitalismo”, afirma. Os bolcheviques acreditam que as condições do socialismo possibilitariam o desaparecimento da família como ela existe no capitalismo. “O que não significa que as pessoas deixariam de se amar, de se relacionar umas com as outras e de se relacionar com seus filhos. Mas a família baseada na dependência financeira e na coerção desapareceria.”
Na década de 20, as mulheres soviéticas começaram a ocupar mais e mais postos de trabalho nas indústrias e creches e restaurantes estatais se encarregavam das tarefas antes consideradas domésticas. As novas condições materiais somadas à facilidade para se casar e se divorciar e ao acesso ao aborto permitiram o surgimento de novos arranjos familiares, baseados no amor livre, e não na dependência econômica.
No entanto, “a experiência da liberdade foi muito dolorosa para as mulheres”, afirma Goldman. E a culpa foi, em boa parte, dos homens. A facilidade para divorciar levou muitos homens soviéticos a terem relacionamentos breves com mulheres, engravidá-las e abandoná-las. A irresponsabilidade masculina tornou as mulheres mais conservadoras. Elas passaram a exigir o fortalecimento da família e que os homens fossem obrigados a pagar pensão alimentícia, já que o Estado soviético não tinha recursos para cuidar de todos os filhos do amor livre.
Aproveitando-se do crescente conservadorismo social, em 1936, o governo de Josef Stalin (1878-1953) decretou um conjunto de leis cujo objetivo era valorizar a família, dificultar o divórcio e proibir o aborto. A proibição, que vigorou até 1955, não resultou na diminuição do número de abortos. “Em 1938, o número de abortos já era tão alto quanto em 1935, quando ainda era legal”, afirma Goldman. O desaparecimento da família saiu da pauta dos comunistas e a proposta original de libertação sexual se perdeu.
Segundo a historiadora, a experiência soviética nos leva a refletir sobre a proibição do aborto que ainda vigora em muitos países, como o Brasil. “Nós observamos que as mulheres vão recorrer ao aborto, seja ele legal ou ilegal. Se o aborto é ilegal, elas vão recorrer a métodos perigosos, que podem levar à morte.” Outra lição se refere a possíveis soluções para antigos problemas. Quem vai cuidar das crianças se os pais trabalham fora? Como se dedicar à família se trabalhamos cada vez mais? “A solução que os soviéticos encontraram para a contradição entre a vida doméstica e o trabalho foi a socialização do trabalho doméstico. As feministas dos anos 70 acreditavam na socialização de algumas tarefas, mas perceberam que os homens também podiam fazer sua parte no trabalho doméstico”, afirma Goldman.
O lançamento oficial de Mulher, Estado e Revolução ocorrerá na próxima semana, em três debates com a presença da autora: na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no dia 19; na Universidade de São Paulo (USP), no dia 20; e na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), dia 21.
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